
SÉCULO XXI – TODOS INTER-CONECTADOS
25/12/11
“PRIMAVERA ÁRABE” E INTERNET
Quando “Mohammed Bouazizi” um jovem de 23 anos, molhado de gasolina, se auto-imolou em chamas frente a um prédio da prefeitura da pequena cidade de “Sid Bouzid” nos arredores de “Tunis”, ninguém esperava que a Tunízia estivesse sendo a faísca que iria detonar toda uma onde de protestos por todo o norte da África atingindo Egito, Líbia, Síria, Marrocos, Irã, Argélia, Bahrein..com repercussões menos intensas pela Europa, mas com contundência na Espanha.
Acontece que a Internet estava pronta para servir sua estrema velocidade de intercomunicação,numa instantaneidade do eco da grande mensagem do mártir “Bouazizi”:
“ Estou viajando mãe. Perdoe-me. Reprovação e culpa não vão ser úteis. Estou perdido e está fora das minhas mãos. Perdoe-me se não fiz como você disse e desobedeci suas ordens. Culpe a era em que vivemos, não me culpe. Agora vou e não vou voltar. Repare que eu não chorei e não caíram lágrimas de meus olhos. Não há mais espaço para reprovações ou culpa nessa época de traição na terra do povo. Não estou me sentindo normal e nem no meu estado certo. Estou viajando e peço a quem conduz a viagem esquecer.” ; mensagem deixada pouco tempo antes de seu ato final, em seu “Facebook”, captada por qualquer celular conectado a Rede.
A mensagem, que traduzia o desencanto de milhões de jovens por toda a região, prá não falarmos no resto do mundo, ecoou nos protestos das ruas, clamando contra o desemprego, a falta de perspectivas de universitários com diplomas nas mãos, o alto custo de vida, a falta de liberdade de governos teocráticos, etc.
Na Tunísia e no Egito custou a perda do poder às poderosas familiocracias de “Ben-Ali” e “Mubarack” respectivamente. Na Síria o presidente “Bashar Al Assad” ainda continua no poder controlado por sua família a mais de 40 anos, mesmo com mais de 5.000mortos nos atuais conflitos decorrentes da onda “Primavera Árabe”. Na Espanha, a juventude e depois o povo ocuparam a famosa praça “Puerta Del Sol” em Madri, o que causou a derrota dos socialistas nas recentes eleições.
Dizem que “Muammar El Gaddafi” e seu ego de líder e ditador do “socialismo pam-árabe” desprezava as “redes” da Internet e considerava as velozes intercomunicações de protestos da “Primavera Árabe” como meros “kleneex” – lenços de papel. O polêmico líder líbio morreu executado sumariamente logo após sua captura por um forte grupo de opositores apoiados pelas Forças Armadas de países como a França, EUA, Itália. Mais um governo que caiu frente à onda de revoltas no “Magrebe” e sua instantânea repercussão na Rede.
Temos que reconhecer que a comunicação cibernética ou comunicação via Internet, aqui denominada simplesmente como “Rede”, veio para revolucionar todo o jeito das pessoas se comunicarem e, num futuro mais próximo que se imagina, se estenderá por toda a sociedade de forma até abusiva , prá não dizer preocupante.
Se a Internet propicia o conforto da comunicação em “redes sociais”, de se fazer amigos, ainda que a maioria não passe de amigos virtuais; de colocar denúncias e desabafos ou desafetos ao público do universo digital; de se ler livros ou baixar músicas; devemos sempre ter em mente que cada link acessado o usuário está deixando rastros. Não se está comprando um jornal numa banca qualquer cujo dono nem nos conhece. Não se está colocando um anúncio pago por linha escrita sem que o anunciante sequer de um endereço e coloque apenas um número de celular.
De fato, o universo digital não é tão confortável e maravilhoso como se apresenta ao usuário desavisado, como alerta El especialista norteamericano Nicholas Carr ao advertir durante a apresentação de seu livro “Superficiais” ": “ Que está fazendo a Internet com nossas mentes? Creio que a tensão entre a liberdade de expressão que nos oferece a Internet e sua utilização como ferramenta de controle jamais será resolvida. Podemos falar com liberdade total, organizarmo-nos, trabalharmos de forma coletiva, criar grupos como os “Anonymous”, mas ao mesmo tempo, Governos e Corporações ganham mais controle sobre nós, seguindo nossos passos on-line e tentar influir em nossas decisões”. http://www.elpais.com/articulo/portada/era/interconexion/elpepusoceps/20111225elpepspor_7/Tes
Uma visão inquietante quando percebemos que a tão cantada e encantadora “liberdade” digital, a velocidade instantânea revolucionária da “Rede” pode ser usada contra nós, controlar-nos.
Para além do registro do “IP” e de todos os nossos documentos necessários para se ter acesso a “Rede”, mesmo em uma “Lan House” que pede nosso documento e se possível o telefone de casa; (que incautos dão); já se fala de câmeras nos semáforos para o controle do “transito”, nas ruas contra assaltos, nas entradas de escolas, hospitais, etc. Já temos inúmeros radares espalhados pela cidade de São Paulo e nas estradas próximas que registram não só o excesso de velocidade; (argumento de subsunção face aos crescentes acidentes com vítimas fatais); mas também se o IPVA está pago, se o proprietário foi acionado por falta de pagamento das mensalidades do veículo, etc. Já vi notícia de um automóvel foi parado por um policial pois tinha sido acionado como veículo com o IPVA atrazado. O controle do indivíduo só tem aumentado com o poder deslumbrante Internet.
Quanto ao controle das Corporações, não creio que venham a se preocupar com o indivíduo, mas sim com as manifestações e desejos do “rebanho”.
“Nícholas Carr” também não deixou de atacar o Google como ferramenta de pesquisa bem como a Wikipédia. Por mim, agradeço em muito a ajuda que ambos tem me dado em minhas pesquisas aleatórias. Porém, sei que preciso ter muita cautela quando uso certos dados coletados nesses veículos de informação.
Enfim, se devemos ter a cautela possível ao acessar a “Rede”, não devemos esquecer que a Internet se tornou o mais revolucionário e realmente democrático meio universal de comunicação e de acesso a informações básicas.
FELIZ NATAL A TODOS.
(quem não deixar um comentário vou rogar uma praga sobre toda descendencia até a idade média). rsss
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