quarta-feira, 23 de maio de 2012

"CACHOEIRA" NA CPMI


CARLOS CACHOEIRA  NA CPMI
22/05/12
Após ter visto parte do fiasco que foi a CPMI do “Cachoeira” em Brasília, pronunciamentos de políticos, etc, minha ½ dúzia de neurônios resolveu desabafar:

O Sr. “Carlos Augusto de Almeida Ramos” - 49, conhecido como “Carlinhos Cachoeira”, antes de ser um empresário no mundo dos jogos de bingo, é um “banqueiro” de “jogo de bicho”, que não paga imposto, contravenção segundo a Lei. Isso tem anos e anos atrás. Só de exploração de casas de bingo em Goiás tem mais de 14 anos.

Agora, se encontra como réu de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – CPMI. Querem que o Cara fale de suas relações com políticos de Brasília, Rio de Janeiro, bem como com empresários da iniciativa privada .

Como um Cara que mantém relações com políticos de variados partidos políticos vai abrir a boca numa CPMI?? O Cara não é louco. Aliás, consta que  quando leu a lista dos políticos que estariam presente para inquiri-lo na primeira audiência, não se conteve em uma gargalhada, e segundo a Imprensa teria dito: “Quero só ver o que certos nomes aqui irão me perguntar”?

“Cachoeira” era um cara que tinha dinheiro e “ajudou” uma vasta gama de políticos em troca de influência nas licitações do Governo com certas Empresas como a Construtora Delta.
Como esperam que um Cara desses desande a falar numa CPMI?? O empresário de jogos de bingo e bicheiro, ou vice versa, é frequentador da alta sociedade goiana, do meio político nacional, etc.
Agora, tão falando em quadrilheiro, crime organizado, máffia, e por aí afora. Mas como vão acusar o Sr. Carlinhos Cachoeira de quadrilheiro quando inúmeros políticos, de senadores, ministros, deputados federais, tiveram estreitas relações com o “quadrilheiro”??

E a Revista Veja que durante mais de 2 anos, ainda segundo a imprensa, foi abastecida de notícias dadas pelo “Cachoeira” sobre várias mutretas de políticos das Casas políticas do Planalto, tanto a Câmara como o Senado, com vistas a “minar” o Governo do então Lula e agora da Dilma? Até onde um poderoso veículo da Imprensa pode tolerar uma convivência com um “contraventor” que lhe abastece de notícias por mais de dois anos, sem que tal convivência não seja uma conivência??

“Cachoeira” tem estreitas relações com a Construtora Delta a qual só no Rio de Janeiro tem a responsabilidade por quatro grandes prédios do Tribunal de Justiça do Estado, que orçam em torno de R$280milhões! Só um deles está orçado em mais de R$160milhões!
Como querem que um Cara desses abra a boca numa audiência de CPMI??

DO PRESIDENTE DA CPMI

O Presidente da CPMI que irá julgar "Cachoeira" e sua relação com políticos e empresários, está sendo acusado de manter acessores(as) fantasma:

Por Andreza Matais e Felipe Coutinho, na Folha:
O presidente da CPI do Cachoeira, Vital do Rêgo (PMDB-PB), contratou como funcionária fantasma em seu gabinete Maria Eduarda Lucena dos Santos, que se diz coautora do hit “Ai, Se Eu te Pego”, cantado por Michel Teló.

O Senador nega, mas:
( Reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” desta terça aponta a estudante Maria Eduarda Lucena dos Santos como a suposta funcionária fantasma do gabinete do senador. Pai da estudante, o jornalista Adelson Barbosa afirmou em entrevista ao jornal que sua filha é contratada por Vital do Rêgo para pagar os serviços que ele presta ao senador.
“Eu não tenho nenhum funcionário fantasma nem faltoso. O que aconteceu é que me veio uma informação às 11 da noite de ontem e eu estava saindo de uma reunião da CPMI e, quando soube, tomei as providências necessárias; abri uma sindicância interna; liguei para o meu gabinete e fui informado de que a funcionária presta um serviço regular”, disse Vital do Rêgo.


Que serviços presta o jornalista ao Senador?? Porque escolheu pagar dando um “emprego” de assessora sua à filha do jornalista??

E tá tudo “certo”. Só o “Cachoeira”, que é um quadrilheiro, chefe de crime organizado, mafioso, etc etc.
Como dizia “Bezerra da Silva” : “Se gritar pega ladrão, não fica um meu irmão”.
O líder dos advogados de Cachoeira é ninguém menos que o ex-ministro da Justiça “Márcio Tomás Bastos”, o qual já descartou a possibilidade de “delação premiada” para seu cliente. Óbvio ululante, diria “Nelson Rodrigues”.

23/05/12

Os políticos que participaram da CPMI do “Cachoeira” reclamam da condição vexatória a que foram impostos com o argumento repetido pelo réu a exaustão às perguntas dos Senadores e Deputados: “Uso do meu direito de Lei de só falar em audiência com o Juiz”. Argumento esse instruído por seu advogado, ex-ministro da Justiça “Marcio Tomás Bastos”, cujo escritório estaria cobrando R$15milhões do acusado.
Ora, tal situação poderia ter sido evitada no seu início, quando o presidente da Mesa poderia ter perguntado ao acusado se ele se disporia a responder ou não as perguntas dos inquisidores presentes. Se o acusado respondesse que usaria do seu direito legal de ficar calado; como já tinha sido anunciado um dia antes na imprensa; não realizassem a audiência. Queriam plateia para posarem de “indignados”, passaram por palhaços.

Se a Lei prevê o direito do acusado de só se pronunciar  perante o Juiz, não vejo o porque de tamanha gritaria de “indignação” dos políticos presentes, salvo como parte do enredo de uma comédia.
Por outro lado, tal argumento da defesa induz a conclusão de culpabilidade contundente do réu.

DO JOGO DO BICHO:

Pra quem não sabe, o “jogo do bicho” foi inventado em 1892 pelo Barão João Batista Viana Drummond, como forma d estimular as visitas ao Zoológico da capital do país, Rio de Janeiro. De lá pra cá se intensificou no meio da população carioca e se espalhou para todo o país.
Diz o famoso folclorista “Câmara Cascudo” em seu “Dicionário do Folclore Brasileiro": “Vício irresistível, contra ele a repressão policial apenas multiplica a clandestinidade. O jogo do bicho é invencível. Está, como dizem os viciados, na massa do sangue”.

No entanto, o fundamental motivo para o “jogo do bicho” ter se tornado ilegal e uma “contravenção”; e não um crime de fato; se deve ao fato do “jogo do bicho” não recolher impostos para o Estado. Aliás, a proliferação das milhares de “Casas Lotericas” por todos os bairros, com uma desena de formas de apostas se tornaram uma instituição por demais aceita em todo o país. Filiais de Bancos, recebem contas, fazem pagamentos de aposentados, etc., mas tudo isso para ajudar o povo a frequentar a “Casa Lotérica” e fazer uma “fézinha”, com os devidos impostos recolhidos.

Já o “jogo do bicho” é uma forma de ganhar dinheiro, principalmente por parte dos “banqueiros”, paralela a economia nacional. É ilegal perante a Lei, mas uma “contravenção” menor em face da antiguidade da atividade, uma “instituição” já constando do folclore nacional.

Claro que nada impede que um “banqueiro” passe a ter uma empresa regularizada, como por exemplo uma “Escola de Samba”, a fm de dar vazão e legitimar o dinheiro conseguido na atividade “contravenção”. Por isso a “contravenção” é acusada também de lavagem de dinheiro. Mas isso tudo tem uma história secular.

No Rio de Janeiro o “jogo do bicho” é acusado também de conivência com o tráfico de drogas, situação que o torna um (crime pesado), mas segundo consta, tal promiscuidade só se verifica no Rio. É até de se considerar se essa aproximação do tráfico com o “jogo do bicho” se deve mais a conivência dos “cambistas” nos pontos espalhados pelas periferias dos grandes centros urbanos do que a uma maior aproximação de traficantes com “banqueiros”, já que a atividade “contravenção” é suficientemente lucrativa por si. Ou seja, os “pontos” de apostas sendo usados como “pontos” de venda de drogas, possivelmente tolerados para não criar atrito com as gangues do tráfico. O que não impede a possibilidade dos “banqueiros” receberem alguma “taxa” dos chefes do tráfico da região.

Apesar de ser uma “contravenção” o “jogo do bicho” emprega uma legião de “cambistas” espalhados pelas cidades, com uma vasta equipe de motoqueiros que recolhem as apostas dos “cambistas”. A maioria dos “cambistas” são pais de famílias; donos de pequenos botecos, pequenas mercearias, que tem na atividade uma forma de captar um capital de giro do pequeno empreendimento mediante uma porcentagem.  
Aliás, consta na Wikipédia: “Corre uma história de que durante a ditadura militar, o presidente Castelo Branco, numa reunião da SUDENE em Recife, teria cobrado do então governador João Agripino a extinção do jogo na Paraíba. Agripino teria respondido ao então presidente: acabo com o jogo do bicho na hora em que o senhor arranjar emprego para os milhares de paraibanos que ganham a vida como
  cambistas. O jogo continua livre no estado até hoje”.

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