José Goulão |
17 de Novembro, 2013
17 de Novembro, 2013
A ditadura do “mainstream” é elegante, bem-falante, civilizada,
polida, tolerando muito bem os programados excessos. Porém, é impiedosa, ou não
fosse uma ditadura, para os que não têm a bem aventurança de pertencer à ordem,
afinal a maioria dos que habitam a comunidade de onde ela emana.
“Mainstream”, (corrente principal), ao contrário do que rezam certas definições
académicas, não é uma cultura de maiorias, de massas, de moda. É um círculo
elitista, fechado, dentro do qual se passa tudo o que nos diz respeito sem que
tenhamos nada a ver com isso.
“Mainstream” define a ordem
dominante e o resto, incluindo os que julgam pertencer-lhe, seguidores bem comportados,
simples imitação.
“Mainstream” é a política única,
a permitida, uma união nacional com as suas alas liberais, é a suserania dos
mercados, a sociedade das pessoas virtuais onde nem só da farda de marca vivem
as aparências, mas também das excentricidades diletantes.
São os jornais de referência, as
televisões que dão ao público o que o público quer, a literatura de grandes
superfícies e lojas de conveniência, os “opinion makers”, os comentadores
oficiais com chancela política e outros que são também oficiais, mas sem
chancela política almejando que lhes seja concedida, os que ocupam as franjas
folclóricas de marginalidade para compor o ramalhete plural e que, começando
normalmente por professores dos trabalhadores e do (*)irredentismo democrático,
acabam como chefes dos patrões, frequentadores de “Bilderberg” e compreensivos
para com o papel da espionagem ao serviço do poder.
“Mainstream” é, hoje, a ordem neoliberal
com os seus satélites, que giram enquanto forem necessários, é a lei de violar
as leis, o direito de atacar os direitos humanos em nome dos direitos humanos,
de subverter a democracia em nome da democracia, de governar à direita e à
esquerda desde que estejam dentro do mesmo centro, o culto da corrupção e do
amiguismo se tudo se passar no interior do círculo dos escolhidos, a seleção
natural da competitividade onde só cabem os paquidermes do negócio.
“Mainstream” é uma ditadura do
faz-de-conta porque não se pratica aquilo que diz praticar-se, não se disse
aquilo que se disse, jamais se escuta a voz dissonante, raramente se fala
verdade em nome da verdade, nunca se faz em benefício do ser humano o que se
cria e desenvolve em seu nome.
A ditadura do “mainstream” é a mais perigosa, porque tarda a ser identificada por aqueles que lhe estão submetidos enquanto age conscientemente para os deformar.
A ditadura do “mainstream” é a mais perigosa, porque tarda a ser identificada por aqueles que lhe estão submetidos enquanto age conscientemente para os deformar.
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(*O termo irredentismo indica
a aspiração de um povo para completar a sua unidade territorial
nacional, a aquisição de terras sujeitas ao domínio estrangeiro (não
resgatados), com base em uma "identidade étnica ou
um link histórico anterior.
O irredentismo pode ser
entendido de duas maneiras: em primeiro lugar, como o desejo de algumas pessoas
que, vivendo em uma terra sob a autoridade de um Estado, eles querem destacar a
tornar-se uma parte do Estado de que a autoria e sentir origem ou formar seu
próprio Estado-nação, e reivindicações territoriais em segundo lugar como
fundamentado de um Estado sobre uma parte do território de outro Estado.)
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