quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

A DITADURA ELEGANTE

Trago aqui um interessante texto sobre uma palavra inglesa muito usada na mídia internacional, mas desta vez com uma ótica mais racional, desmontando vetores aos quais o termo serve. O texto foi descoberto no link abaixo onde a seguir coloco o interessante texto:



José Goulão |
17 de Novembro, 2013
A ditadura do “mainstream” é elegante, bem-falante, civilizada, polida, tolerando muito bem os programados excessos. Porém, é impiedosa, ou não fosse uma ditadura, para os que não têm a bem aventurança de pertencer à ordem, afinal a maioria dos que habitam a comunidade de onde ela emana.
“Mainstream”,  (corrente principal),  ao contrário do que rezam certas definições académicas, não é uma cultura de maiorias, de massas, de moda. É um círculo elitista, fechado, dentro do qual se passa tudo o que nos diz respeito sem que tenhamos nada a ver com isso.
“Mainstream” define a ordem dominante e o resto, incluindo os que julgam pertencer-lhe, seguidores bem comportados, simples imitação.

“Mainstream” é a política única, a permitida, uma união nacional com as suas alas liberais, é a suserania dos mercados, a sociedade das pessoas virtuais onde nem só da farda de marca vivem as aparências, mas também das excentricidades diletantes.

São os jornais de referência, as televisões que dão ao público o que o público quer, a literatura de grandes superfícies e lojas de conveniência, os “opinion makers”, os comentadores oficiais com chancela política e outros que são também oficiais, mas sem chancela política almejando que lhes seja concedida, os que ocupam as franjas folclóricas de marginalidade para compor o ramalhete plural e que, começando normalmente por professores dos trabalhadores e do (*)irredentismo democrático, acabam como chefes dos patrões, frequentadores de “Bilderberg” e compreensivos para com o papel da espionagem ao serviço do poder.
“Mainstream” é, hoje, a ordem neoliberal com os seus satélites, que giram enquanto forem necessários, é a lei de violar as leis, o direito de atacar os direitos humanos em nome dos direitos humanos, de subverter a democracia em nome da democracia, de governar à direita e à esquerda desde que estejam dentro do mesmo centro, o culto da corrupção e do amiguismo se tudo se passar no interior do círculo dos escolhidos, a seleção natural da competitividade onde só cabem os paquidermes do negócio.
“Mainstream” é uma ditadura do faz-de-conta porque não se pratica aquilo que diz praticar-se, não se disse aquilo que se disse, jamais se escuta a voz dissonante, raramente se fala verdade em nome da verdade, nunca se faz em benefício do ser humano o que se cria e desenvolve em seu nome.
A ditadura do “mainstream” é a mais perigosa, porque tarda a ser identificada por aqueles que lhe estão submetidos enquanto age conscientemente para os deformar.
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(*O termo irredentismo indica a aspiração de um povo para completar a sua unidade territorial nacional, a aquisição de terras sujeitas ao domínio estrangeiro (não resgatados), com base em uma "identidade étnica ou um link histórico anterior.
O irredentismo pode ser entendido de duas maneiras: em primeiro lugar, como o desejo de algumas pessoas que, vivendo em uma terra sob a autoridade de um Estado, eles querem destacar a tornar-se uma parte do Estado de que a autoria e sentir origem ou formar seu próprio Estado-nação, e reivindicações territoriais em segundo lugar como fundamentado de um Estado sobre uma parte do território de outro Estado.)

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