06/03/12
Acabo de ouvir na “Rádio
CBN”, uma interessante entrevista com o recém empossado Diretor da Escola de
Advogados da Fundação Getúlio Vargas – FGV, “Oscar Vilhena Vieira”.
O papo foi dirigido
pelo jornalista da Emissora para o campo internacional e o papel do Brasil nessa
área nebulosa.
Tentarei fazer um
resumo com minhas palavras, do que ouvi da entrevista em face da pergunta, que
foi mais ou menos a seguinte: Se o
Brasil teria condições de ser um dos países líderes no mundo:
Disse “Oscar V.
Vieira”: “Um país tem basicamente três formas de se tornar um dos líderes
mundiais: Pelo poderio bélico, pela economia e por posturas internacionais
éticas baseadas em princípios universais inquestionáveis”.
“O Brasil não é uma
potencia militar, possui uma economia atual razoável e é tido como um país
agradável aos olhos internacionais, pois tem uma grande diversidade racial,
acolhe a todos, é um país alegre, etc”. Poderia ser um líder moral no concerto
das nações. Mas peca por problemas de direito humanos quanto aos abusos de
autoridade de sua Polícia, insistentemente alertados pelos organismos
internacionais dos Direitos Humanos. .
“No campo
internacional, se absteve de ter uma posição mais incisiva no caso da Síria; na
visita da Presidenta “Dilma” a Cuba e quando ela esteve com “Obama” fez questão
de dizer que “Guantânamo” não seria o ponto central do diálogo; essas são
posturas que minam os desejos do Governo brasileiro de ter uma cadeira no
Conselho de Segurança da ONU. Criticamos Israel contra os palestinos, mas
relutamos contra a Síria, quando as grandes nações democráticas demonstraram
suas posições claras contra os acontecimentos naquele país. Nada falamos contra
a manutenção de Guantânamo pelos EEUU. Claro que se ninguém cobrar do governo
norte-americano o fim de Guantânamo, a “Casa Branca” que não quer atritos com a
os setores da direita conservadora, vai empurrando com a barriga”.
“O Brasil demonstra querer ser um país expansionista comercialmente, mas
que ainda não está preparado para ser uma nação”.
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É complicado para um cidadão comum como o blogueiro destas linhas, sem títulos de cátedra, ouvir no rádio, (quem ouve rádio atualmente? Só o povão), que um cara vai ser entrevistado, e logo de início o radialista se coloca a ler o currículo da figura e por fim o nome do entrevistado.
Ora, em face do currículo exposto, tudo que o cara disser estará automaticamente endossado. Seja qual for o despautério que venha pronunciar, o currículo intimidatório o transformará em suprassumo da sabedoria, num formador de opinião. A autocrítica do ouvinte se faz ausente, com exceção dos que ainda mantém um mínimo de lucidez e pé atrás quanto ao que é falado na mídia. Enfim, me atrevo aqui a falar um pouco do que ouvi e li a respeito dos assuntos citados.
No geral, minha ½
dúzia de neurônios concorda com quase tudo que disse o “Mestre em Ciência
Política pela Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da Universidade
de São Paulo (USP), entre outros títulos”.
Porém, achar que a presidenta
Dilma ao ir a Cuba ou aos EEUU deveria bradar aos microfones que é preciso
fechar Guantânamo, que aquilo lá é uma violência aos Direitos Humanos em nível
mundial por parte do país da “Estátua da Liberdade”, é a meu ver, é um
desperdício de tempo em face de tantos outros interesses que temos em comum com
o “Tio San”. É esquecer que os EEUU instalaram recentemente cinco Bases Militares
na Colômbia. Uma verdadeira ponta de lança do Pentágono na América Latina,
contra a opinião de (todos os governos do continente).
O máximo que se fez
após reuniões dos países da área, foi pedir ao Presidente colombiano,
“explicações” quanto a instalações das cinco Bases no país, o qual disse que era
mera cooperação militar com as Forças Armadas colombianas. E nada mais se
falou, e as bases agora, devidamente instaladas, contam com aeroportos para
pouso dos “Caças” norte-americanos.
Muita gente acha que a
desculpa de “combate as drogas” é apenas um artifício usado pelos EEUU desde o “Ronald
Reagan” para justificar uma ingerência geopolítica no continente. Quando por
ocasião da visita do presidente colombiano “Alvaro Uribe” a “Obama” teria
ficado acertado um acordo da construção de três Bases militares na Colômbia. Segundo
opiniões de especialistas em geopolítica, as Bases de Malambo e Palanquero
seriam em nível topográfico, destinadas a Venezuela do destemperado “Hugo
Chaves”, e a de Apiay seria o controle
das fronteiras colombianas junto ao Brasil. Tudo em nome da “War on Drugs”. De
Ronald Reagan prá cá, só tem aumentado o consumo de drogas, cocaína, nos EEUU,
tido como os maiores consumidores no planeta.
Agora, nesta “Cúpula
das Américas” um dos itens da agenda era, pasmem, a descriminalização do uso da
droga??!! (rss). Alguns representantes dos países que participaram da
conferencia disseram que esta será a última, até a inclusão de Cuba.
Brasil e o Oriente Médio
Quanto à Síria, não
vejo o porquê do Governo brasileiro se alinhar a uma política de ingerência no
mundo árabe por parte de alguns países , EEUU, Inglaterra, França, Itália,
armando suspeitos grupos de opositores a exemplo da Líbia, contra governos outrora
cordialmente reconhecidos.
Aliás, o tão comentado
como "exitoso" plano “Non Fly Zon” na Líbia decretado sob a benção da ONU, consta
que resultou num país destroçado e dividido em zonas dominadas por gangues de
grupos mercenários e clãs do Deserto, que a grande mídia não faz questão de comentar.
E depois tem o contexto
Israel x Palestinos, ao qual o Brasil tem uma posição definida pró Palestina ;
quando foi estabelecida uma política de convivência respeitosa e de cunho
comercial entre o Brasil e países do Oriente Médio durante as visitas do então
presidente “Lula”. Sem contar as mais variadas comunidades árabes que residem
no Brasil, em perfeita harmonia. Um dos pilares da Constituição Brasileira de
1988, é a do respeito à (Autodeterminação dos Povos).
E depois querer exigir
do Brasil tais posturas internacionais no contexto atual, é querer abusar do
expressivo PIB conseguido em 2011, esquecendo que se “ultrapassamos” a
Inglaterra , no IDH estamos lá pelo 80º lugar, enquanto o país dos Beatles está
em 6º lugar!
Temos um país continental pra cuidar, com riquezas naturais extremamente
cobiçadas; com 192milhões de habitantes, sendo que uns 50milhões sobrevivem
sabe Deus como. Já foi dito: Um jovem adolescente norte –americano consome o
equivalente a 15 adolescentes sul-americanos.
Síria está muito longe e pertence a um continente com cultura e modo de
vida específicos.
Guantânamo é uma questão delicada que está sob o domínio do país mais
bem armado no planeta.
Enfim, com o máximo
respeito ao Dr. Oscar Vilhena Vieira e ao seu vasto currículo, este blogueiro
se permite dizer que as pedras não rolam morro acima, mesmo no campo da
política midiática
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16/04/12
DEBATE SOBRE CRISE
MUNDIAL E EXPECTATIVAS E A “VI CÚPULAS DAS AMÉRICAS, A “CÚPULA DE CARTAGENA” .
TV SENADO.
Peguei o bonde andado
no debate, mas deu pra ouvir bastante a opinião do sociólogo “Demétrio
Magnoli”, um cara com bom transito na mídia nativa, principalmente em casos de
política internacional.
A exemplo do Sr. Oscar
Vilhena Vieira, também o Sr. Demétrio acha que o governo brasileiro está
deixando de ser uma voz protagonista latino-americana, quanto a questão da
Síria, ao se omitir em endossar as sanções contra o governo de “Bashar Al
Assad” em face das mais de 9mil mortes desde o começo das manifestações de
parte do país contra o governo, isso a um ano atrás.
Quanto a recente
“Cúpula de Cartagena” , DE12 a 16/04/2012, em que quase todos os países das
Américas, 32, se reuniram com exceção de
Cuba e Equador, o sociólogo “Magnólio” fez uma severa crítica a posição
ideológica do Brasil contra os EEUU, dizendo que o Brasil está cedendo a
liderança do continente latino americano para a Argentina, Venezuela, Bolívia e
Equador. Ficou clara a posição do sociólogo em pró dos vetores dos EEUU.
Já o presidente do
Debate, o senador “Fernando Collor de Melo”; o mesmo que a uma década atrás
confiscou toda a grana da nação, hoje senador e presidente de Comissões que
discutem política exterior; lembrou um fato interessante e que provavelmente
poucos, assim como eu, conhecem:
“È muito comum vermos
grandes países atacarem verbalmente outros países, falarem de Direitos Humanos,
de liberdades individuais violentadas, etc. Quando “Chu Em-lai” primeiro
ministro da China recebeu “Jimmy Carter” , para aprofundar as relações
comerciais entre os dois países, começadas com o famoso jogo de “ping-pong”
entre o primeiro ministro chinês “Mao Tsetung” e o presidente “Richard Nixon”
em 1972, o presidente Carter teria pedido a Chu En-lai, janeiro de 1979, como sinal de boa amizade e de abertura política,
que o governo chinês permitissem o direito de ir e vir na China, permitindo que
os chineses que quisessem sair do país que assim pudessem. Respondeu Chue En-lai:
“Perfeitamente
presidente, apenas me de uns 30 dias para que baixemos a resolução. Agora, se
me permite gostaria que o Sr me dissesse para onde devo mandar os cerca de
100milhões de chineses que com certeza pedirão, nesses 30 dias, o ingresso para
deixar o país? O Sr acha que devo mandá-los para a Costa Oeste norte americana
ou para Europa?”
“Consta que Carter não
falou mais sobre o assunto e de lá pra cá, passaram-se 30 anos, mas ninguém
mais falou uma frase sobre o direito dos chineses de sair do país quando
quiserem”.
Não tinha conhecimento
dessa conversa.(rssss).
Segundo alguns portais,
a presidenta da argentina Cristina Kirchner, abandonou a reunião quando
representantes norte americanos se negaram a discutir as “Malvinas”. Como se os
EEUU fossem discutir a posse das Malvinas pela mamãe Inglaterra?
Outros países também
acabaram por abandonar a reunião em face da negação de Obama e admitir a Cuba
na “Cúpula das América”. A reunião foi um fracasso total e fora a foto da Secretária
de Estado “Hilary Clinton” dançando numa discoteca colombiana, nada mais foi digno
de nota. (rsss):
(Poucas horas depois
de participar no jantar oficial da cimeira com os chefes de Estado e de Governo
dos 34 países americanos em Cartagena, Hillary foi vista a divertir-se no
sábado num bar nas proximidades.
Ainda vestida com um
elegante tailleur preto e com um deslumbrante colar de diamantes, que usou no
jantar, a diplomata dos Estados Unidos dievrtiu-se com a sua equipa no Café
Havana.
Um funcionário do Departamento
de Estado disse que Clinton decidiu ir ao local quando soube que os
funcionários da sua comitiva comemoravam o aniversário de Roberta Jackson,
secretária de Estado adjunta para os Assuntos do Hemisfério Ocidental.
«Quando ela soube que
alguns funcionários tinham ido dançar para comemorar o aniversário de Jacobson,
e que a comemoração continuava depois do fim do jantar da cimeira, quis passar
por lá. Então, juntou-se à festa», afirmou o funcionário, que pediu para não
ser identificado.
Longe do seu habitual
ambiente geralmente carregado de problemas mundiais, Hillary foi vista
com um grande sorriso a dançar cercada por várias mulheres. Além disso, foi
vista sentada numa mesa a beber de uma garrafa de cerveja, brincando com os
amigos...).
Como se a Secretária
de Estado do país mais bem armado do planeta, que inúmeras barbaridades bélicas
têm cometido pelo mundo afora em pró da hegemonia e que suas palavras defendem, fosse apenas uma funcionária pública de baixo escalão.
E ainda foi dar conselhos sobre os perigos da democracia a
"Suu Kyi", uma mulher que após passar mais de dez anos presa pela
ditadura de seu país, conseguiu finalmente uma cadeira no parlamento de Miamar.
Complicado, no mínimo.
Enfim, para terminar a digestão desses assuntos, concordo plenamente
que o Brasil; em face de sua dimensão territorial; de suas imensas fronteiras
naturais; de sua diversificada população de 190milhões de habitantes ainda com
graves disparidades sócio-econômicas internas; deva ter muita cautela quanto a
sua posição geopolítica, não só no continente, mas em todo o planeta.
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z ausente.

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